A noite arde ao revés
Todavia sua chama
Não enche o cálice dos forasteiros
A medida das horas não passa
Pelo vidro do relógio
E aos pés triunfantes
O espólio a derrota pertence
Em épocas outras
O nome da história
Pesava os dentes
Sortilégios rubros
Augúrios
Porém, desde sempre
Caminho o tempo para o fundo
De um olho que se apaga
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
o amor na tarde suada de janeiro
No calor de janeiro
na tarde suada de janeiro, decidi casar com a poesia
porque já não podia mais casar,
porque casei aos dezoito anos,
casei aos vinte e seis anos,
aos trinta e três anos
Minha mãe – pele negra sem rugas, em sabedori e chinelos de dedos – disse:
- Isso não é pra você!
Casei com a poesia ao ouvir a voz de Ginsberg no escritório abarrotado de papéis,
quando Hilda me ofereceu um cigarro.
Casei com a poesia no chão da sala,
na tarde suade de janeiro.
na tarde suada de janeiro, decidi casar com a poesia
porque já não podia mais casar,
porque casei aos dezoito anos,
casei aos vinte e seis anos,
aos trinta e três anos
Minha mãe – pele negra sem rugas, em sabedori e chinelos de dedos – disse:
- Isso não é pra você!
Casei com a poesia ao ouvir a voz de Ginsberg no escritório abarrotado de papéis,
quando Hilda me ofereceu um cigarro.
Casei com a poesia no chão da sala,
na tarde suade de janeiro.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
aos que esquecem de dormir
Protege-me, a insônia
Da violência dos sonhos
No ritmo interno das palavras
Observando as falésias em teus olhos
E a aridez entre os lençóis
A insônia arrasta-me para o deserto
Em seus braços de marinheiro infiel
Da violência dos sonhos
No ritmo interno das palavras
Observando as falésias em teus olhos
E a aridez entre os lençóis
A insônia arrasta-me para o deserto
Em seus braços de marinheiro infiel
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
a palavra resgatou o poeta
o homem de todos os dias
agarrou o tempo que ia longe em sua vida,
em seus olhos invencíveis
desenharam-se longos parágrafos
o poema é a ciência
que corre com o vento
agarrou o tempo que ia longe em sua vida,
em seus olhos invencíveis
desenharam-se longos parágrafos
o poema é a ciência
que corre com o vento
sábado, 13 de agosto de 2016
sempre
Seria sempre e a qualquer momento
Assim, sempre uma despedida após a outra
Um navio de pequenas mortes
De náufragos e naufrágios.
As lembranças
Levarei comigo
As insignificantes
Tão finas quanto a areia
Aos punhados, encherei os bolsos.
Aquelas – e não as outras
Plantarei junto à campa
No tumulto silencioso da noite.
Assim, sempre uma despedida após a outra
Um navio de pequenas mortes
De náufragos e naufrágios.
As lembranças
Levarei comigo
As insignificantes
Tão finas quanto a areia
Aos punhados, encherei os bolsos.
Aquelas – e não as outras
Plantarei junto à campa
No tumulto silencioso da noite.
sussuro
Era noite, parecia noite
quando o amor
me arremessou ao mar
e o medo fez os copos
caírem afogados.
Portanto, eis aqui
a letra de uma palavra
a voz silenciosa das vozes
a selva úmida enterrada nos ossos.
Parece, ainda parece
que a noite anda sobre o mar
que o vento sopra o sangue das ruas
E o amor, dizem
Arremessará o mundo no fogo.
domingo, 19 de junho de 2016
[poema]
Sentei-me à praça, frente aos seixos, sem fantasias.
Olhar vindo de longe,
As roupas roubadas daqueles que me venceram.
Elaborei um plano no caderno e sentado, ainda sentado,
Troquei-o pela companhia dos pássaros.
Lembro que fazia sol, que havia paredes e bancos,
Lembro de socorrer a pedra, uma árvore,
Lembro de esquecer um punhado de coisas.
Não esqueci a vida, nem os entes vivos,
Não esqueci a identidade do mundo,
O modo caprichoso quando nos olha,
O modo violento quando grita,
Quando grita o mundo seu amor,
Seu amor grande e violento.
Não levantei do banco,
Não troquei meus propósitos.
Mudei como mudam as árvores,
As folhas caindo ao chão,
O trabalho silencioso das raízes.
E consegui ver que nas paradas
As crianças ainda brincam.
Olhar vindo de longe,
As roupas roubadas daqueles que me venceram.
Elaborei um plano no caderno e sentado, ainda sentado,
Troquei-o pela companhia dos pássaros.
Lembro que fazia sol, que havia paredes e bancos,
Lembro de socorrer a pedra, uma árvore,
Lembro de esquecer um punhado de coisas.
Não esqueci a vida, nem os entes vivos,
Não esqueci a identidade do mundo,
O modo caprichoso quando nos olha,
O modo violento quando grita,
Quando grita o mundo seu amor,
Seu amor grande e violento.
Não levantei do banco,
Não troquei meus propósitos.
Mudei como mudam as árvores,
As folhas caindo ao chão,
O trabalho silencioso das raízes.
E consegui ver que nas paradas
As crianças ainda brincam.
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