Lá longe, distante
Os edifícios reclamam solidão
E me relembram
Como se puxassem cordas
Que há vida correndo cá fora
Tem gente pisando o asfalto
Desafiando as leis da gravidade
Cá fora há mato nas calçadas
Desordem viva pulsando
É preciso ignorar o perigo, dizem
Desviar das balas e dos sacerdotes
Dos mercadores e da loja de empréstimo
Aqui fora há de se sujar as mãos
Abraçar a imperfeição desses versos
Caso contrário, a morte nos conservará até o final.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Os últimos ossos quebrados
E apesar do que dizem
Não virás com o chamado do fogo
Nem com a alma dos peixes
Ou das ranhuras na face do céu
Meu pedido entrará no silêncio dos corredores
Sem janelas, nem assentos
Corredores de antigas vozes
Dos pedidos em decadência
Violentos e cansados
Apesar dos gritos e das cartas
Escritas em tumulto
Não virás
Sentada em um trono de madeira
Desconfiada das horas
Triste como o tempo que não aconteceu
Os olhos ensimesmados
Numa espécie de lamento
Apesar das palavras e do braço
Com que colhes o fruto das estações
Não virás
Apesar da nudez e do suor
Com que lavas o corpo
Não virás
Deitada numa outra parte da noite
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
sobre o sono das máquinas
Em um raio de dois mil quilômetros
Nem sombra ou rastro do sono
Ou a voz inconfundível dos sonhos
Se aproximando como areia
No pensamento
As palavras transformadas em imagens
Ou o sorriso das sereias
Adormecendo em mim
O tumulto dos motores
O monstro de duas cabeças
Que devora os homens apressados
Porém desatentos
Nem sombra ou rastro do sono
Ou a voz inconfundível dos sonhos
Se aproximando como areia
No pensamento
As palavras transformadas em imagens
Ou o sorriso das sereias
Adormecendo em mim
O tumulto dos motores
O monstro de duas cabeças
Que devora os homens apressados
Porém desatentos
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Domingo
Depois dos lençóis estendidos
Depois do almoço
O café
Chocolate doce-amargo
Senhor e Senhora sentados
O passado atualizado no ritual
As pequenas vilanias do dia
Amontoadas contra o céu
Ao redor da mesa repousado
O quebra cabeça das palavras
As conversas a respeito do preço do gás
O temporal no horizonte
O silêncio entre os dentes
Cobertos de sangue
À tarde bolo de laranja
E um pouco de rancor
Depois do almoço
O café
Chocolate doce-amargo
Senhor e Senhora sentados
O passado atualizado no ritual
As pequenas vilanias do dia
Amontoadas contra o céu
Ao redor da mesa repousado
O quebra cabeça das palavras
As conversas a respeito do preço do gás
O temporal no horizonte
O silêncio entre os dentes
Cobertos de sangue
À tarde bolo de laranja
E um pouco de rancor
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
[poema]
De um verso a outro
O poema rabisca a tarde
Atento as intempéries do mundo
E as investidas da morte
À cidade e a lógica do acúmulo
Oferta a necessidade física do afeto
Aos astronautas do semáforo
Cascas de sol e bergamotas
Um convite -
O mar à esquerda
Um desvio à direita -
Até a próxima esquina
O poema rabisca a tarde
Atento as intempéries do mundo
E as investidas da morte
À cidade e a lógica do acúmulo
Oferta a necessidade física do afeto
Aos astronautas do semáforo
Cascas de sol e bergamotas
Um convite -
O mar à esquerda
Um desvio à direita -
Até a próxima esquina
quinta-feira, 27 de julho de 2017
[poema]
dormi a terra úmida:
as janelas abertas e o céu a nascer.
dormi o esquecimento para acordar um rio de pedras,
o momento ruidoso entre as horas.
dormi para escrever a morte que renova o trigo
sem esperança alguma,
como o vento.
dormi o sono do mundo,
os olhos repletos de silêncio,
grilhões e sonhos distantes.
dormi a última estrela,
homens em linha,
edifícios sem nome
e lá no fundo,
antes das paredes brancas,
teu rosto,
o amor confuso das nuvens.
assim, despertaremos
as janelas abertas e o céu a nascer.
dormi o esquecimento para acordar um rio de pedras,
o momento ruidoso entre as horas.
dormi para escrever a morte que renova o trigo
sem esperança alguma,
como o vento.
dormi o sono do mundo,
os olhos repletos de silêncio,
grilhões e sonhos distantes.
dormi a última estrela,
homens em linha,
edifícios sem nome
e lá no fundo,
antes das paredes brancas,
teu rosto,
o amor confuso das nuvens.
assim, despertaremos
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