...para Izabella
No verso do espaço
em branco,
Os olhos de Izabella,
De feitiço e fogo.
Tua voz negra rompe
A nuvem do silêncio,
Pele consciente
De seu toque mais puro,
Com dentes profundos
Mastigas a piedade,
Faz respirar a máquina
No corpo-liberdade.
Nos teus olhos
Nossos pés descalços
Caminham.
sábado, 28 de novembro de 2015
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Hiroshima mon amour
Sim, estamos em guerra
Com os elefantes
E com os balões coloridos
E com as poças d’água
Estamos em guerra
Com as horas-aula
Com a pele que leva o archote
Pele preta parda e sem nome
Seca de afeto
De olhos exangues
Estamos em guerra
E hoje uma árvore contou-me um segredo:
Um homem parou de lutar
Dê-me as bombas de nêutron
Dê-me o beijo que é uma trincheira
Dê-me a chave da Hiroshima do amor
Com os elefantes
E com os balões coloridos
E com as poças d’água
Estamos em guerra
Com as horas-aula
Com a pele que leva o archote
Pele preta parda e sem nome
Seca de afeto
De olhos exangues
Estamos em guerra
E hoje uma árvore contou-me um segredo:
Um homem parou de lutar
Dê-me as bombas de nêutron
Dê-me o beijo que é uma trincheira
Dê-me a chave da Hiroshima do amor
sábado, 19 de setembro de 2015
Encontros
O homem dá adeus ao cavalo
E da terra extrai um lápis
Impregnado de noite.
Olha em diagonal
Mulheres navegando garotos,
Consumindo cigarros sem prazer.
Olha os carros percorrendo
Ruas de chão batido.
O homem vertical nada vê
Suspirando o mofo da cidade,
Suspeitando das verdades impressas,
O sexo flácido nas mãos enferrujadas,
A vida despida de nuvens
À sombra de uma escada.
Nossas vozes poderiam se cruzar
Em algum ponto entre o desencontro
E o desencanto,
Mas deixo-as nuas na claridade augusta.
Talvez eu pudesse escrever outras estórias
Se não tivesse o corpo em chamas.
E da terra extrai um lápis
Impregnado de noite.
Olha em diagonal
Mulheres navegando garotos,
Consumindo cigarros sem prazer.
Olha os carros percorrendo
Ruas de chão batido.
O homem vertical nada vê
Suspirando o mofo da cidade,
Suspeitando das verdades impressas,
O sexo flácido nas mãos enferrujadas,
A vida despida de nuvens
À sombra de uma escada.
Nossas vozes poderiam se cruzar
Em algum ponto entre o desencontro
E o desencanto,
Mas deixo-as nuas na claridade augusta.
Talvez eu pudesse escrever outras estórias
Se não tivesse o corpo em chamas.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Meu coração é um mil folhas no balcão da padaria
Minhas pernas movem-se como baleias
Num mar de sangue,
Como se cavalos cuspissem fogo.
Tenho a boca aberta da fome
Brancos olhos cristãos,
Meu corpo todo
É um gigante ébrio de amor.
Sou o que esquece quando deveria lembrar,
A força que mantém a corda tesa,
A pele negra que te reveste a alma.
Meus versos são pedaços de uma prece
Que se arrasta pra dentro do tempo,
Um segredo que levas no bolso
E ingenuamente chamas de desejo.
Num mar de sangue,
Como se cavalos cuspissem fogo.
Tenho a boca aberta da fome
Brancos olhos cristãos,
Meu corpo todo
É um gigante ébrio de amor.
Sou o que esquece quando deveria lembrar,
A força que mantém a corda tesa,
A pele negra que te reveste a alma.
Meus versos são pedaços de uma prece
Que se arrasta pra dentro do tempo,
Um segredo que levas no bolso
E ingenuamente chamas de desejo.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Odisseia
Dos mistérios gerais de viajar pelo espaço
Dos perigos de percorrer a nebulosa
Sem um traje espacial
Vim da terra
E o perigo está nos meus olhos
Humano poder de comer poesia
Terráqueos dedos de tristeza
O homem pisa na lua
Depois da morte
E todas as vozes calam
No quintal de deus
Não há colônia de férias em Marte
Não há colônia de homens
Em lugar algum
A multidão de gente sem nome
Engoliu a Terra
Dos perigos de percorrer a nebulosa
Sem um traje espacial
Vim da terra
E o perigo está nos meus olhos
Humano poder de comer poesia
Terráqueos dedos de tristeza
O homem pisa na lua
Depois da morte
E todas as vozes calam
No quintal de deus
Não há colônia de férias em Marte
Não há colônia de homens
Em lugar algum
A multidão de gente sem nome
Engoliu a Terra
terça-feira, 25 de agosto de 2015
o bom marujo
Menino fantasiado de mar
Tocando blues
para Iemanjá
Em cada porto um amor
Em cada praia um adeus
Em toda pele a máquina
Que alimenta
a saudade
O bom marujo em terra
É passagem d'água
Estreito salgado
Levando nos cabelos
o vento nordeste
Tocando blues
para Iemanjá
Em cada porto um amor
Em cada praia um adeus
Em toda pele a máquina
Que alimenta
a saudade
O bom marujo em terra
É passagem d'água
Estreito salgado
Levando nos cabelos
o vento nordeste
terça-feira, 11 de agosto de 2015
Sobre o homem que vive dentro do homem
Sobre o dar e receber,
as guerras não combatidas,
o não lugar, as coisas falidas
e úteis.
Sobre a noite
e a morte da estrela,
o doce amargo, a humanidade
dissolvida em mim.
Sobre o encanto
quando as torres
empurram a maré.
Sobre todos, o lugar disperso,
o fogo na alma das palavras,
a cor dos cachorros
quando partem,
quando a água arrasta
por metros distantes
o corpo do poeta
uivando para as pedras.
as guerras não combatidas,
o não lugar, as coisas falidas
e úteis.
Sobre a noite
e a morte da estrela,
o doce amargo, a humanidade
dissolvida em mim.
Sobre o encanto
quando as torres
empurram a maré.
Sobre todos, o lugar disperso,
o fogo na alma das palavras,
a cor dos cachorros
quando partem,
quando a água arrasta
por metros distantes
o corpo do poeta
uivando para as pedras.
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