Sentei-me à praça, frente aos seixos, sem fantasias.
Olhar vindo de longe,
As roupas roubadas daqueles que me venceram.
Elaborei um plano no caderno e sentado, ainda sentado,
Troquei-o pela companhia dos pássaros.
Lembro que fazia sol, que havia paredes e bancos,
Lembro de socorrer a pedra, uma árvore,
Lembro de esquecer um punhado de coisas.
Não esqueci a vida, nem os entes vivos,
Não esqueci a identidade do mundo,
O modo caprichoso quando nos olha,
O modo violento quando grita,
Quando grita o mundo seu amor,
Seu amor grande e violento.
Não levantei do banco,
Não troquei meus propósitos.
Mudei como mudam as árvores,
As folhas caindo ao chão,
O trabalho silencioso das raízes.
E consegui ver que nas paradas
As crianças ainda brincam.
domingo, 19 de junho de 2016
segunda-feira, 2 de maio de 2016
O vento é a alma das coisas
Como o olho que vê a si mesmo
Por dentro de um vendaval
Dando as costas.
O olho que viu teu desejo transpirado
Nas mãos de outro
Uma fome com gosto de morte
Olha, olha
O cansaço venceu a aurora
Um incêndio do lado de lá
A água invadindo a cidade
Sonhamos o tempo
Sentados na penumbra da memória
Olhando o silêncio
Enrugar nossas mãos
Meu rosto pensa
o gosto rubro da tua face
Uma última vez
Depois ruminações estéreis
Por fim, o clarão que antecipa o nada
domingo, 27 de março de 2016
Aos homens
Quero encontrar meus amigos
Que moram no tempo,
Ouvir suas vozes insurgentes
No brusco entardecer.
Quero encontrá-los dentro da chuva,
Nas pegadas da cidade que festeja seus mortos,
Cobrir-lhes o rosto com madeira escura
E repousar em seus braços as preces que me ofertaram.
Quero embalar nossos sonhos
Em nuvens brancas e sonolentas,
Reencontrá-los no jardim na memória,
De costas para o vento e as mãos limpas
Com as quais um dia sonharam.
Que moram no tempo,
Ouvir suas vozes insurgentes
No brusco entardecer.
Quero encontrá-los dentro da chuva,
Nas pegadas da cidade que festeja seus mortos,
Cobrir-lhes o rosto com madeira escura
E repousar em seus braços as preces que me ofertaram.
Quero embalar nossos sonhos
Em nuvens brancas e sonolentas,
Reencontrá-los no jardim na memória,
De costas para o vento e as mãos limpas
Com as quais um dia sonharam.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
dois mil anos
Ouvi a música das árvores
deitado na hora mais cinza do ano –
em que homens e trens davam as mãos.
cantando a descoberta do amor,
pano puído sobre um trono de madeira,
entregando-se à velha cidade virgem -
aqui onde caio refém de feitiços,
na negação da colheita,
no grito vazio que me bate o rosto e rói os ossos,
fiel as tuas súplicas,
prostrado em tuas pernas,
na hora mais suave da vida.
deitado na hora mais cinza do ano –
em que homens e trens davam as mãos.
cantando a descoberta do amor,
pano puído sobre um trono de madeira,
entregando-se à velha cidade virgem -
aqui onde caio refém de feitiços,
na negação da colheita,
no grito vazio que me bate o rosto e rói os ossos,
fiel as tuas súplicas,
prostrado em tuas pernas,
na hora mais suave da vida.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Pequena lua do oriente
Minhas calças puídas,
esses homens, essas mulheres:
Fantasmas! Fantasmas!
No ventre do furacão,
deusa dos olhos tropicais,
dos olhos entorpecidos,
da névoa que corrompe o sangue.
Amante minha, poesia.
Rascunho das músicas
que os sonhos condenam.
Tranquilos são os dias que passamos em guerra
a esperar a pequena lua do oriente.
esses homens, essas mulheres:
Fantasmas! Fantasmas!
No ventre do furacão,
deusa dos olhos tropicais,
dos olhos entorpecidos,
da névoa que corrompe o sangue.
Amante minha, poesia.
Rascunho das músicas
que os sonhos condenam.
Tranquilos são os dias que passamos em guerra
a esperar a pequena lua do oriente.
sábado, 28 de novembro de 2015
poema para nossos pés descalços
...para Izabella
No verso do espaço
em branco,
Os olhos de Izabella,
De feitiço e fogo.
Tua voz negra rompe
A nuvem do silêncio,
Pele consciente
De seu toque mais puro,
Com dentes profundos
Mastigas a piedade,
Faz respirar a máquina
No corpo-liberdade.
Nos teus olhos
Nossos pés descalços
Caminham.
No verso do espaço
em branco,
Os olhos de Izabella,
De feitiço e fogo.
Tua voz negra rompe
A nuvem do silêncio,
Pele consciente
De seu toque mais puro,
Com dentes profundos
Mastigas a piedade,
Faz respirar a máquina
No corpo-liberdade.
Nos teus olhos
Nossos pés descalços
Caminham.
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