O trem corta o aço
- cada vez mais perto –
num desejo de floresta
sem respiração
onde dançam teus
abraços
apóstolos da vingança
e outros objetos
perdidos em fuga
domingo, 25 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
poema menor
Se a boca fala
inventa ou mente, se cospe
de sua natureza mundana,
beijos e outras coisas,
de chofre
há quem não atente:
o amor é um cavalo de pedra
no sol do deserto.
sábado, 17 de janeiro de 2015
Luz Negra
para P.Maurer e Jorge Mautner
A luz negra que me cegou a máquina
misto de madeira e carne
bebe do meu sangue.
A luz negra que me abraçou espinhos
sutura a mágoa
depois arrasta.
Te persigo
onde não estás, até quando não vens:
“A luz negra dos seus olhos”.
A luz negra que me cegou a máquina
misto de madeira e carne
bebe do meu sangue.
A luz negra que me abraçou espinhos
sutura a mágoa
depois arrasta.
Te persigo
onde não estás, até quando não vens:
“A luz negra dos seus olhos”.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Poços de Petróleo
A cidade, mais do que sonho,
é um pressentimento,
vislumbre de possibilidades
dormitando nos olhos sonâmbulos
dos frentistas.
Fábula do terror tecnológico,
perfume de gasolina.
Bebemos dos postos,
bombas mucamas, amas de leite,
a vida.
Paga com cartão de crédito ou débito,
pois, desconfiados,
ninguém mais aceita cheques.
é um pressentimento,
vislumbre de possibilidades
dormitando nos olhos sonâmbulos
dos frentistas.
Fábula do terror tecnológico,
perfume de gasolina.
Bebemos dos postos,
bombas mucamas, amas de leite,
a vida.
Paga com cartão de crédito ou débito,
pois, desconfiados,
ninguém mais aceita cheques.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Redenção
Ver a cidade
(azul que descansa
atrás do arranha-céu)
de parabólicos castelos
nuvens de pensamentos
desejos ativos
confundidos na grama
na pressão dos corpos no orvalho
(gemidos
dispersos)
Os amantes não temem a polícia
nem o fim do mundo.
A cidade agradece.
(azul que descansa
atrás do arranha-céu)
de parabólicos castelos
nuvens de pensamentos
desejos ativos
confundidos na grama
na pressão dos corpos no orvalho
(gemidos
dispersos)
Os amantes não temem a polícia
nem o fim do mundo.
A cidade agradece.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
madrugadenta
Ele entrou na cozinha e pensou que o fogão era um bom lugar para fazer um café, pois já ia madrugadenta. Porém, antes a água, o filtro, o pó. Colocou a chaleira transbordante em uma das tantas bocas do fogão. Para acendê-lo era necessário um fósforo. Viu a caixa dormitando no balcão, aquela hora ela já não trabalhava muito, e transviu os fósforos lá dentro sem nem precisar abri-la. Eles lá deitados, magrinhos com suas cabeças pesadas, vermelhas. Transviu suas vidas passadas quando ocupavam florestas, quando eram apenas um e tocavam o vento. Dessa época guardavam ainda mistérios. Podiam acender o fogo e notas musicais, coçar um cérebro ou tirar cera do ouvido, apagar a cegueira ou ajudar as musas a encontrarem os poetas. Não reclamavam de nada, nem do tamanho da caixa ou do cheiro de fritura, nem quando acabavam no lixo. Tristeza mesmo era cair na pia e acabar molhado e não poder acender mais nem o bule do café.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
o grito do povo
Era pelo grito que o poeta esperava;
recebia frutas diversas e acenos do povo,
mas era o grito das moças que ele ansiava, um tanto do suado prazer.
Todavia, sempre muito distraído, seu olho buscava uma palavra lá fora,
o verbo sobraçando nos galhos.
Projetava-se através das lentes minerais com pés enraizados no hoje.
Diante da sanha apaixonada, dizia-se fraco paras as coisas do espírito que nebulosamente habitam a carne.
Gastava suas horas – as melhores, entre os mortos,
as noivas de papel e os livros que jamais escreveria.
recebia frutas diversas e acenos do povo,
mas era o grito das moças que ele ansiava, um tanto do suado prazer.
Todavia, sempre muito distraído, seu olho buscava uma palavra lá fora,
o verbo sobraçando nos galhos.
Projetava-se através das lentes minerais com pés enraizados no hoje.
Diante da sanha apaixonada, dizia-se fraco paras as coisas do espírito que nebulosamente habitam a carne.
Gastava suas horas – as melhores, entre os mortos,
as noivas de papel e os livros que jamais escreveria.
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